Nunca acreditei em Cristo só por religião. Minha fé nEle não é uma fé cega, sem embasamento. Creio porque de fato acho que Ele é Deus, que é o único homem sem pecado que pisou nessa terra, que é o Salvador da humanidade (Cristo, não a igreja evangélica), que representa o filho de Deus prometido no Velho Testamento, que morreu, que ressuscitou… Acredito plenamente em tudo isso!
Já tenho falado há alguns posts sobre um livro que marcou minha vida espiritual: o livro “Mais que um carpinteiro” de Josh McDowell, um cara que pensava que os crentes eram todos “loucos”, que os depreciava e discutia com eles, argumentando contra sua fé, mas que, eventualmente, descobriu que tais argumentos não tinham consistência.
Baseada neste livro, escrevi os últimos seis posts deste blog:
1 – Louco, mentiroso ou Deus
2 – Um caráter consistente
3 – Ressurreição? Aí já é demais…
4 – Você morreria por uma mentira?
5 – Passado de crente
6 – Profecia, Poder e Amor
Os textos acima falam um pouco sobre a consistência da pessoa de Jesus Cristo, mas, percebi algo importante ao longo desse tempo (longo mesmo). Percebi que por mais que eu argumente, por mais que haja provas, por mais que o meu jeito de ter chegado a Cristo tenha sido de forma argumentativa e através da análise de fatos sobre Ele, nem sempre as coisas funcionam assim e nem sempre essas provas são, de fato, necessárias.
Gosto do lado esquerdo do cérebro, do racional, mas no âmbito espiritual (e em muitas coisas na vida) nem tudo pode ser explicado e provado e, mesmo assim, pode merecer crédito.
A fé é necessária, é uma prova de confiança no Deus que cremos, é uma forma de demonstrar o amor que temos por Ele.
Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. (Hebreus 11:1)
Se para crer num deus você SÓ se baseia em provas, sinto muito, mas talvez não valha à pena crer nesse deus.
Hoje não vou abordar nenhuma das evidências sobre a veracidade de Cristo como vinha fazendo até então, vou apenas usar um texto de um blog que recomendo totalmente, o blog de Ed René Kivitz, e que comunica perfeitamente o que eu disse ou tentei dizer…
A parábola da bola
Os dez homens importantes sentados ao redor da bola discutiam acaloradamente:
– A bola é grená, disse um.
– Claro que não, a bola é bordô, retrucou outro em tom raivoso.
Todos estavam fascinados pela beleza da bola e tentavam discernir a cor da bola. Cada um apresentava seu argumento tentando convencer os demais, acreditando que sabia qual era a cor da bola. A bola, no centro da sala, calada sob um raio de sol que entrava pela janela, enchia a sala de uma luminosidade agradável que deixava o ambiente ainda mais aconchegante, exceto para aqueles dez homens importantes, que se ocupavam em defender seus pontos de vista.
– Você é cego?, ecoou pela sala gerando um silêncio que parecia ter sido combinado entre os outros nove homens importantes. Era até engraçado de observar a discussão – na verdade era trágico, mas parecia cômico. Todos os dez homens importantes usavam óculos escuros, cada um com uma lente diferente. Talvez por causa dos óculos pesados que usavam, um deles gritou “você é cego?”, pois pareciam mesmo cegos.
Depois do susto, a discussão recomeçou. O sujeito que acreditava que a bola era cor de vinho debatia com o que enxergava a bola alaranjada, mas um não ouvia o que o outro dizia, pois cada um usava o tempo em que o outro estava falando para pensar em novos argumentos para justificar sua verdade. Aos poucos, a discussão deixou de ser a respeito da cor da bola, e passou a ser uma troca de opiniões e afirmações contundentes a respeito das supostas cores da bola. A partir de um determinado momento que ninguém saberia dizer ao certo quando, os dez homens tiraram os olhos da bola e passaram a refutar uns ao outros. Em vez de sugestões do tipo: – A bola é vermelha, todos se precipitavam em listar razões porque a bola não era grená, nem cor de vinho, nem mesmo alaranjada.
De repente, alguém gritou: – Ei pessoal, onde está a bola? Todos pararam de falar – estavam todos falando ao mesmo tempo, e foi então que perceberam um alarido parecido com aquelas gargalhadas gostosas que as crianças dão quando sentem cócegas. Correram para a janela e viram uma criançada brincando com a bola, que parecia feliz sendo jogada de mão em mão. Ficaram enfurecidos com tamanho desrespeito com a bola. Ficaram também muito contrariados com a bola, que parecia tão feliz, mas não tiveram coragem de admitir, afinal, a bola, era a bola.
Lá fora, sem dar a mínima para os dez homens importantes, estavam as crianças brincando e se divertindo a valer com a bola que os dez homens importantes pensavam que era deles. E nenhuma das crianças sabia qual era a cor da bola.
Abraços de quem está aprendendo a não se importar tanto com a cor da bola,
Aline Alencar
P.S.: Este é o último texto de um série de 7 textos (I made it!).





